O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou a condução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante as eleições de 2026.
Sem citar nomes, o magistrado cobrou uma atuação imparcial da Justiça Eleitoral, presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques. "De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe", manifestou o decano do STF na noite de segunda-feira (2).
"Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros."
O ministro entende que, nesse contexto, a ausência de manifestações pode "abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável."
Gilmar Mendes ainda reforçou que foi o colegiado do TSE que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático.
"Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado."
Repercussões do pleito
Segundo a Justiça Eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro (PL) — uma diferença de 4,4 milhões de votos — na noite de domingo (25).
Dados oficiais divulgados pelo TSE mostram que 34.393 votos foram computados após as 17h do dia do pleito. Dessa forma, mesmo que todos os votos dados no horário extra tivessem ido para o petista, eles representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.
O horário de votação foi prorrogado até às 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, após as candidaturas de Lula e Flávio relatarem à Suprema Corte e à Justiça Eleitoral dificuldades no transporte público.
Após a derrota nas urnas, Flávio fugiu para Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28) após passar pela fronteira da Argentina, fazer escala no Equador — onde parou para abastecer — e decolar em direção aos EUA.
Fora do Brasil, o senador divulgou uma carta de teor golpista em que se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos depois, apagou o texto e republicou um novo sem usar a frase.
No documento, o Flávio confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição no exterior. Ainda acusa "fraude eleitoral" no segundo turno das eleições, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral.
